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sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Porque sou Monárquico

Porque sou Monárquico ( in Causa Monárquica)



Não tenho palácios, nem títulos, nem anéis, nem pergaminhos. Entro na fila dos plebeus puros.

Se tivesse títulos, não os exibiria mas, também, não os enjeitaria.
Além disso, não sou contra ninguém. Do meu lado, como em todos os lados, há quem justifique aplausos e há quem mereça comiseração.

Um dia perguntaram à Amália se ela era monárquica ou republicana. E ela, com a intuição, a inteligência e a graça que a caracterizavam, respondeu; sou um bocadinho mais monárquica.
Por que republicanos somos todos, é, exactamente, esse bocadinho que me faz, também, ser monárquico. Republicanos no sentido de defensores da liberdade, da igualdade e da fraternidade, princípios que o cristianismo formulou, a revolução francesa adoptou como divisa e a carta dos direitos do homem propõe a todo o Universo, somos todos!

Essa ideia peregrina de absolutismos, de castas, de privilégios, de “sangue azul” que, ainda hoje, aqui ou ali aparece apensa à monarquia, nunca foi minha e creio que, a sério, já não é de ninguém.

Sou monárquico pelo bocadinho que a monarquia acrescenta à república.

É que os nossos reis nasceram com a Pátria e a Pátria com eles. No caso português, Pátria e Rei fazem parte do mesmo acontecimento fundador. Ambos são, por isso, inerência e factor da identidade portuguesa. Os “genes fundadores” pertencem a ambos.
Pátria e Monarquia arrancam dos mesmos alicerces e a seiva que lhes entrou por raízes comuns percorre-os e alimenta-os conferindo-lhes uma espécie de consanguinidade.
Os Reis são um permanente carimbo de Pátria.
Sei que foi com reis que fomos grandes.
Sei que um Rei não divide porque, sendo tão indiscutível com a Pátria, pertence a todos como ela.
Sei que o Rei é um símbolo com marca de perenidade.
E a simbologia, não sendo uma realidade substantiva é muito mais que uma fantasia alienante.
Os símbolos dão, alimentam e orientam convicções e por isso, devem ser permanentes. Os símbolos não se mudam.
Os hinos nacionais, as bandeiras das pátrias, não mudam ao sabor dos ventos e dos votos.
O Rei anda mais ligado à noção de Pátria, entidade indiscutível e perpétua, o Presidente da República anda mais perto da noção de Estado, entidade variável no conceito, na organização, no conteúdo.
Quantos Presidentes da República tivemos desde 1917?
Só depois do 25 de Abril foram seis! Alguém viu no Dr. Manuel de Arriaga ou no Dr. Teófilo Braga ou no Marechal Spínola ou no General Costa Gomes um símbolo de Portugal?
Quando muito um símbolo do poder.
Pode alguém comparar o que representa para Portugal D. Afonso Henriques ou D. Diniz ou D. João II ou D. Manuel I ou D. Pedro IV, com algum dos Presidentes da República que já tivemos? Nem poder natural, nem simbologia.
Podem ter cumprido o seu papel de forma inteligente, profícua, digna, mas são cidadãos sem vínculo natural e definitivo à Pátria, cidadãos que passaram e as Pátrias não passam.
O Rei, por ter um percurso histórico paralelo ao da Pátria identifica-se com ela e, por isso, dela recebe e a ela dá carácter.
Mais do que o representante, um Rei é um símbolo; um Presidente da República é, apenas, um representante temporário.
Enquanto que o Presidente da República emana de arranjos ocasionais e sempre fluidos de partidos, sempre de uma só parte dos portugueses, o Rei arranca de um tronco que nos contém e que foi a coluna vertebral da história.
Os presidentes da República andam, como os governos, ao gosto das votações e das políticas. Não permanecem. Um Rei sucede a outro numa linha de continuidade que o torna, mais coerentemente, um símbolo. Pode mudar a pessoa do Rei, mas a sucessão é natural, imediata, fácil, incontroversa, como uma lei da natureza. Muda a pessoa, mas permanece a ligação orgânica, genética às origens, a um sentimento, a uma educação, a uma relação quase familiar, aos sucessos de uma longa história em que foram protagonistas.
A monarquia portuguesa é uma instituição que vem do início e com a qual convivemos durante tantos séculos, tem alicerces cavados com a mesma fundura e que seguiram os mesmos sacrifícios dos que foram feitos para criar a Pátria e, por isso , identifica-se com ela.
O Rei é um órgão de uma soberania contínua. Agora, que a Pátria Portuguesa perdeu muita da sua independência, são necessários elementos que liguem o que fomos ao que queremos ser, num querer alimentado por valores eternos.
A ideia peregrina de que somos todos iguais e, por isso, todos temos o direito de poder aspirar a ser Presidente da República é pouco mais que infantil. A probabilidade de alguém via a ser Presidente da República seria, em Portugal, de 0.000 00001% se todos tivessem acesso a essa hipótese longínqua e demagógica. Mas não! De acordo com a nossa Constituição, só os nascidos em território nacional e maiores de 35 anos poderão candidatar-se e, além disso, qual foi o Presidente da República Portuguesa que não foi um político activo emanado das forças políticas organizadas, dos partidos? Quantos são os portugueses nessas condições? Onde é que está a igualdade de oportunidades?
Argumento ridículo.
Fala-se, também, do preço que a monarquia custaria ao País. Quantos Presidentes da República vivem, hoje, à custa do erário público? Vivem e Deus os conserve vivos e felizes durante muitos anos! Mas, vencimentos altos, carros, chauffeurs, staff, a multiplicar por quatro!
O outro argumento republicano recorrente é o de que a lei da hereditariedade pode oferecer-nos um mentecapto, um tarado, um energúmeno, um marcado pela natureza. Ninguém nega uma eventualidade possível. Tivemos, numa história de oito séculos, dois casos: D. Afonso VI e D. Maria I. Contudo, ambas as situações foram ultrapassadas com a normalidade que a história regista. E de quantos casos temos notícia de monstros que, por via não hereditária, chegaram à chefia dos Estados e dos Governos, alguns mesmo pela via do sufrágio universal. Não é um exercício teórico. Não é preciso recuar muito no tempo para encontrar dos mais desgraçados, dramáticos, tenebrosos exemplos de loucura que a história regista. Foi por esta via que os republicanos Ceaucescu, Karadsik e os mais emblemáticos chefes dos nossos dias, Hitler e Estaline, chegaram onde chegaram e fizeram o que fizeram!
Não! Esqueçam, também esse argumento.
Acresce que a implantação da grande maioria das repúblicas ficou ligada a actos de violência extrema: foi preciso matar e matou-se: assim morreram Luís XVI e Maria Antonieta, em França, D. Carlos e o Príncipe Real D. Luís Filipe em Portugal, toda a família de Nicolau II na Rússia. E eu sou contra a violência.
Há, ainda, outro motivo que também conta muito para mim. É que meu Pai comparava, muitas vezes, aquilo que viveu durante os últimos dezasseis anos de Monarquia, com o que passou durante os dezasseis primeiros da República. Eu ouvi-o sempre com a atenção de um filho e, além disso, não posso deixar de comparar, hoje, o que se passa nas monarquias do norte da Europa com o que se vive nas repúblicas do sul,
Finalmente, haverá quem conceba que o vínculo místico que liga um Povo ao sei Rei, ilustrado neste poema imortal de Fernando Pessoa possa, alguma vez estabelecer-se com um Presidente da República?

Aqui ao leme sou mais do que eu;
Sou um Povo que quer o mar que é teu;
E mais que o mostrengo que me a alma teme
E roda nas trevas do fim do mundo
Manda a vontade que me ata ao leme,
De El-Rei D. João II.

É por tudo isto que também sou um bocadinho mais monárquico

Serafim Guimarães, 5 de Outubro de 2010
Real Associação do Porto

Portugal a Pé - Num Algarve onde as estevas e as pedras vão substituindo as gentes

Portugal a Pé - Num Algarve onde as estevas e as pedras vão substituindo as gentes ( in www.cafeportugal.net )

Vamos encontrar Nuno Ferreira a Sul, no caminho entre Castro Marim e Alcoutim. À beira do Guadiana o jornalista recolhe histórias: de Reformas de miséria, de um rio onde já não se pesca, de territórios tornados desertos humanos. Um périplo com salto de fronteira incluído. Na vizinha Espanha um encontro com um Sancho Pança andaluz.

Nuno Ferreira* | terça-feira, 15 de Fevereiro de 2011

No início de Abril de 2008 a primavera rebentava em esplendor lá para as bandas de Odeleite, a esteva a desabrochar em manchas de flores brancas. A princípio, a caminhada desde Castro Marim fora feita, para meu desconforto, na IC 27.

Apesar da largura das bermas, tudo o que recordo de mais interessante foi a passagem de um ciclista em tronco nú e de uma carrinha amarela de venda de gelados que andava para cima e para baixo da IC. Sempre que me via outra vez, o homem dos gelados acenava e premia a buzina, ele na sua solidão de vendedor cruzando a minha de caminheiro.

Estava literalmente a morrer de fome quando larguei a IC e a toalha azul da Barragem de Odeleite à minha esquerda e meti pelo campo, por Alcaria, em direcção à Foz de Odeleite. Quis o destino que o único restaurante da terra com vista para o pachorrento Guadiana tivesse reaberto naquele dia. Pude almoçar com vista para o rio, para Espanha e para as pequenas hortas dos últimos idosos, entretidos entre as couves e uma paragem de autocarro vizinha do restaurante onde espantavam a passagem do tempo. «Sabe quanto ganho de reforma? Cem euros», contou-me um, menos envergonhado que os restantes, a fazerem que sim com a cabeça, a olharem para o lado, como quem diz: «É assim a vida do pobre». Por perto, encontrei um empreiteiro pouco animado que corroborou a história dos cem euros: «É verdade, esses velhotes vivem com reformas de miséria. E pode escrever que está a falar com o dono de uma empresa de construção falida».

Mais à frente, em Guerreiros do Rio, percebi que da pesca do Guadiana pouco mais restava do que o museu. Acabou tudo com a poluição e as restrições à pesca. «Há para aí quatro ou cinco mas andam sempre preocupados com a polícia marítima», contaram-me. Apesar do tom esverdeado e opaco das águas, acabei por celebrar o irromper súbito da primavera com um mergulho no velho «Odiana» a partir de um pequeno pontão que encontrei ali perto e «vigiado» à distância por uma algarvia de chapéu de palha e bata azulada.

Rumei mais tarde a Alcoutim para encontrar uma povoação e um concelho em luta desesperada contra o deserto humano. «Nós aqui lutamos desesperadamente pela sobrevivência», desabafava o médico e autarca de Alcoutim, Francisco Amaral, cuja freguesia de Pereiro, era então a que menos habitantes detinha por quilómetro quadrado em Portugal. «Só temos estevas e pedras, todos os anos morre gente. Pertencemos a uma região, a do Algarve, que tem concelhos ricos e é considerada rica pela União Europeia mas Alcoutim está entre os dez concelhos mais pobres», desabafava Francisco Amaral.

«Lá no Algarve...», comentava em tom de ironia, «só se fala em golfe mas aqui ainda o que nos vale é a cinegética. Esquecem-se que há clientes da caça com mais poder de compra que alguns golfistas».

Pena que as burocracias e as exigências legislativas não permitisse que a caça do concelho fosse consumida ali. «Para servir uma perdiz ou uma lebre local, tenho de a mandar inspeccionar por um veterinário e gastar milhares de contos num túnel de congelação. O investimento não justifica», comentava Rosária Baptista, do Restaurante de cozinha regional Alcatiã, cujos pratos incluem perdiz à algarvia, lebre com feijão branco, coelho bravo à caçador ou javali estufado: «Acabo por comprar às grandes empresas que importam da Nova Zelândia».

Descartados o turismo e a cinegética, Alcoutim toda ela é passado, quando as barcaças de minério das Minas de São Domingos desciam o Guadiana, o barbo e o muge - chamavam-lhe o 365 por ser comido todo o ano - povoavam o rio e o contrabando aliviava a fome. «Era um contrabando de miséria, uns quilos de tabaco, uns quilos de café. Ai mãe, não me fale disso tão pouco, a gente penava aí...» recordava Fernando, ex-contrabandista. «Às vezes, era para perder tudo».

Um dos últimos pescadores de Alcoutim, Emídio Costa Rica, asseverou-me que os dias de pesca já lá iam: «Pesquei desde pequeno, primeiro em Mértola, onde nasci e depois aqui. Pesquei 20 e tal anos. Agora, o rio está muito acabado devido à poluição. Já não pesco, já trabalhei muito...»

Ainda pedi a Emídio que me deixasse fotografá-lo junto da barcaça que mantinha junto ao rio mas foi um ápice enquanto desapareceu para dentro de casa e me deixou especado à frente da porta fechada. Decidi então pagar um euro ao barqueiro e rumar até à vizinha e fronteira Sanlúcar de Guadiana cansado de tanta melancolia. Acabei no Bar El Pozo onde uma vozearia e garrafas vazias de Cruzcampo invadiam o balcão enquanto um Sancho Pança andaluz observava a transmissão em directo de uma cerimónia no parlamento regional, em Sevilha e gritava: «Ladrones! Paco! Mas un pincho e un tinto de verano!»


(*) Nuno Ferreira nasceu em Aveiro em 1962. Licenciou-se em comunicação social na Universidade Nova de Lisboa. Foi colaborador permanente do semanário Expresso de 86 a 89, ano em que ingressou nos quadros do jornal Público (até 2006). Nos últimos 20 anos fez reportagens de cariz social. No Jornal Público manteve uma crónica satírica intitulada “Ficções do País Obscuro” e escreveu sobre música popular americana. Recebeu, entre outros, o Prémio de Jornalismo de Viagem do Clube de Jornalistas do Porto com o trabalho «Route 66 a Estrada da América» (1996). No ano seguinte recebeu o Prémio de Jornalismo de Viagem do Clube Português de Imprensa com o trabalho «A Índia de Comboio». Em 2007 publicou conjuntamente com Pedro Faria o livro «Ao Volante do Poder».

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segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

«La educación no es un monopolio del Estado» / Maria Calvo Charro

A propósito da política "educativa" do actual Governo

«La educación no es un monopolio del Estado» / Maria Calvo Charro

Cortesía de María Calvo
MARIA CALVO CHARRO

«LA EDUCACIÓN NO ES UN MONOPOLIO DEL ESTADO»

Esta profesora de Derecho Administrativo es una de las mayores defensoras de la educación diferenciada en España.

Maria Calvo Charro es profesora de la Universidad Carlos III , presidenta de la Asociación europea de centros de educación diferenciada (EASSE) y madre de cuatro niños en edad escolar.

KINDSEIN: ¿Enseñanza diferenciada o mixta? ¿Una es mejor que otra?

MARIA CALVO CHARRO: Ambas son opciones legítimas. Lo importante es que exista la posibilidad de decidir con entera libertad. Se trata de debatir sobre qué es lo mejor para nuestros hijos, dar información a los padres y concederles el derecho de elegir libremente una de las opciones. Está en cuestión la propia libertad de enseñanza, que es uno de los derechos fundamentales más inherentes a la persona. Sólo desde la libertad se pueden forman personas libres.

KINDSEIN: ¿Puede basarse la defensa de la educación diferenciada sólo en las diferencias neurológicas innatas, o hay aspectos morales escondidos?

MARIA CALVO CHARRO: Además de las diferencias neurológicas, hay sin duda otras facetas que justifican sobradamente la existencia de este modelo escolar. Pero no se trata de causas relativas a la moral. Esto es absurdo. ¿Acaso es inmoral compartir aula con el sexo opuesto? Una niña o un niño pueden comportarse de manera inmoral también en un colegio "single-sex". Los que acusan a los colegios religiosos de separar por motivos "morales" no saben de qué están hablando. En estos colegios lo que se pretende es la formación íntegra de la persona. Es decir, además de un buen rendimiento académico, con la enseñanza diferenciada se busca que el alumno o la alumna se desarrollen plenamente como personas, partiendo de su masculinidad o feminidad, con autenticidad y sin distracciones.

Lograr esto es difícil cuando estás ante la presencia constante del sexo opuesto, especialmente en la adolescencia, etapa de la vida complejísima en la que se obsesionan por parecer bien y aparentar lo que a veces no son. La frustración y el agotamiento que supone estar continuamente pendiente de "gustar" perjudica un correcto desarrollo personal. Tener durante unas horas al día un espacio propio, libre de distracciones, en el que los que me rodean entienden perfectamente mis problemas específicos como chico o chica es un lujo muy beneficioso en la pubertad, pues favorece la configuración del carácter de los jóvenes de una manera más auténtica, sosegada y libre.

KINDSEIN: ¿Pero se puede ser ateo o de izquierdas y, al mismo tiempo, defensor de la educación diferenciada?

MARIA CALVO CHARRO: Estamos hablando de un modelo pedagógico que queda totalmente al margen de ideologías, creencias, moral o política. En España, la educación mixta es el modelo único y obligatorio en la enseñanza pública. Cuestionar las ventajas de los colegios y clases compartidas por niños y niñas lleva consigo el ser tachado de retrógrado, encasillado en algún movimiento religioso radical o considerado contrario a un principio democrático fuertemente asentado y aceptado por la generalidad. Reducir este modelo a una problemática religiosa o identificarlo con políticas conservadoras es ignorar por completo de qué estamos hablando y partir de unos prejuicios y dogmas que frenan el progreso y en consecuencia la libertad.

La enseñanza mixta no es un principio intangible del derecho escolar, es un instrumento para dos combates de fondo de nuestra sociedad: la igualdad de oportunidades y la transmisión de valores fundamentados en el respeto y la tolerancia. Lo importante es comprobar si está sirviendo para ello, y en caso negativo adoptar las medidas oportunas.

KINDSEIN: ¿Y si no está sirviendo para ello, crees que la enseñanza diferenciada podría solucionar algo?

MARIA CALVO CHARRO: Puede solucionar problemas graves de nuestro sistema educativo, como el fracaso escolar o la violencia en los colegios. Los beneficios que se desprenden de este modelo pedagógico son merecedores de una detallada atención por parte de padres, autoridades y docentes. No hay nada que impida su aplicación en el ámbito público. Es perfectamente legal y constitucional. Los padres deberían exigirla sin duda, pues tienen derecho a que sus hijos reciban lo mejor desde el punto de vista educativo.

KINDSEIN: ¿Crees que el modelo educativo debe depender del Estado, de la religión, del gobierno de turno?

MARIA CALVO CHARRO: Actualmente estamos viviendo una época en la que el Gobierno y la Administración pública están adoptando medidas que realmente cercenan la libertad amparándose en la defensa de la igualdad. Sobre todo en el ámbito educativo, donde la pluralidad y diversidad están siendo sustituidas por el igualitarismo. Se pretende que todos tengan el mismo nivel académico, perjudicando a los que destacan; que niños y niñas sean tratados de forma idéntica en las escuelas, impidiendo la optimización de las potencialidades peculiares que cada sexo encierra; que los idearios propios de las escuelas desaparezcan en el momento en que reciban algún tipo de subvención pública, asimilando así los colegios concertados a los públicos, etc. Frente a otros países desarrollados de nuestro entorno en los que se amplía la autonomía de los centros escolares para favorecer la pluralidad de opciones de los padres a la hora de elegir el centro docente adecuado para sus hijos, en España el ideal pedagógico parece ser la escuela única.

El derecho a la libertad de enseñanza radica precisamente en la libertad de escoger libremente el tipo o modelo de educación que se desee. Si la enseñanza diferenciada presenta ventajas demostradas, ¿por qué‚ reservarla únicamente a los hijos de padres que pueden pagar un centro privado?

KINDSEIN: En alguna ocasión has dicho que la educación diferenciada es precisamente una de las herramientas más importantes para la emancipación de la mujer. ¿Puedes explicarnos por qué?

MARIA CLAVO CHARRO: Es una realidad demostrada científicamente que las niñas maduran antes, física y cerebralmente, que sus compañeros varones. El desarrollo cognitivo del varón es más lento en ciertos tramos de edad en relación, sobre todo, con las habilidades lingüísticas. Y esto con total independencia de la cultura, nivel económico o raza. Los neurocientíficos han demostrado cómo la parte dedicada a las destrezas verbales de una niña de cuatro años equivale en madurez a la de un varón de seis. Por esto, en cuanto empiezan a hablar articulan mejor las palabras; crean frases más largas y complejas; hablan más y con mayor fluidez. En el colegio, escriben antes y con mayor perfección; adquieren un mayor vocabulario y leen con más facilidad que los niños de su misma edad

Luego, en la pubertad, psicólogos y pedagogos coinciden en que las féminas sientan antes la cabeza que los varones. Y así, con doce años, nuestras hijas son unas señoritas, mientras que nuestros hijos siguen siendo unos niños. En estas circunstancias, los chicos provocan un "bajón" en el nivel general de la clase que evidentemente perjudica a las chicas al "frenar" su ritmo para adaptarlo al de sus compañeros.

Asimismo, los chicos, especialmente a partir de secundaria, gozan de mayor facilidad para el pensamiento lógico-matemático o el razonamiento abstracto. La habilidad espacial es una característica típicamente masculina. Si queremos lograr que las niñas en la escuela adquieran gusto por las matemáticas y luego, en su madurez, accedan tanto como los hombres a carreras técnicas, precisan en secundaria de un apoyo especial en matemáticas, física y ciencias en general, y la aplicación práctica de un modelo docente adaptado a las peculiaridades de aprendizaje propias de su sexo.

En Alemania, el hecho de que las chicas no accedieran a carreras técnicas tanto como lo hacen los chicos o que aquellas en los colegios mixtos obtuvieran peores resultados en ciencias que sus compañeros varones, obligó a la Ministra de Educación de Nordrhein-Westfalen a reintroducir la enseñanza separada por sexos en física e informática. Heidi Simonis, diputada alemana socialista y conocida feminista, mantiene la necesidad de superar estereotipos. Suya es la frase: «Es necesario deshacerse definitivamente del prejuicio de que las chicas necesitan clases conjuntas con los chicos para no estar en desventaja en el trabajo profesional. Esto es totalmente falso».

KINDSEIN: ¿Los chicos están en inferioridad de condiciones en la escuela?

MARIA CALVO CHARRO: Los varones están en crisis desde el punto de vista educativo. Es un dato que aparece de forma reiterada en todas las estadísticas y que los responsables de la educación parecen ignorar totalmente: el fracaso escolar en nuestro país constituye una problemática principalmente masculina. El fenómeno afecta por igual a todas las enseñanzas y ciclos, y se concentra en la edad de 15 a 18 años. En todos los tipos de enseñanza, las chicas obtienen mejores resultados actualmente y la diferencia va en aumento.

Las chicas sacan mejores notas y acceden en mayor medida a la Universidad. En contra de lo que infundadamente piensa la mayoría de la sociedad, son las chicas las que están arrasando en los colegios. El chico tipo está un año y medio por detrás de la chica tipo en lo que se refiere a leer y escribir, está menos comprometido en el colegio, su comportamiento es peor y es más improbable que acabe realizando estudios universitarios. Lejos de aparecer tímidas y desmoralizadas, las chicas de hoy ensombrecen a los chicos. Consiguen mejores calificaciones. Las chicas se comprometen más académicamente, y es una realidad que se da en todo el territorio nacional, independientemente del color político de los diferentes gobiernos autonómicos y que trasciende nuestras fronteras.

KINDSEIN: ¿Y por qué no se traslada ese éxito académico al futuro, en la vida laboral, donde es el hombre el que sigue acaparando los puestos de más relevancia, mayor responsabilidad y más sueldo?

MARIA CALVO CHARRO: Es cierto que esos puestos están principalmente ocupados por hombres, Pero ese hecho no tiene nada que ver con la educación escolar, sino con la ausencia de medidas adecuadas de conciliación de la vida familiar y laboral para las mujeres. Las chicas protagonizan el éxito académico, tenemos una mayoría de mujeres licenciadas (hasta un 60%). Esta situación "ideal" para la mujer se resquebraja cuando tiene su primer hijo. Ante la imposibilidad material de compatibilizarlo todo, reducen su ambición profesional para poder atender debidamente a su hijo.

La realidad es que son las mujeres, y no los hombres, las que reducen sus aspiraciones profesionales para atender a los hijos. Esto es sin duda un acto de generosidad de las mujeres que debería ser debidamente valorado por la sociedad y por el Gobierno por medio de ayudas e incentivos. Como cualquier hombre, podemos llegar a ser médicos, ingenieros o artistas, pero solo nosotras podemos ser madres. La maternidad supone un cambio radical en la vida de cualquier mujer, un cambio en su propia esencia. De manera que la reincorporación al trabajo y la separación del hijo puede ser, incluso para las mujeres más independientes y profesionales, una experiencia realmente traumática.

KINDSEIN: En España, ¿a qué se achaca el fracaso escolar de los chicos?

MARIA CALVO CHARRO: En España, se ignora la existencia de este fuerte componente sexual en el fracaso escolar. Es un aspecto del que nunca se habla. Se barajan otras muchas variables, la edad, la raza, el nivel económico, pero la variable relativa al sexo se ha extirpado de nuestros datos porcentuales. En consecuencia, no hay ninguna actuación para darle solución. Mientras continuemos ignorándolo, seguiremos sin solucionar el fracaso escolar que sufren nuestros muchachos. Este asunto se suele despachar en la mayoría de las ocasiones con la idea simplista de que las chicas son más estudiosas, pero lo cierto es que detrás de los datos de fracaso escolar masculino se esconden otras realidades psicológicas y sociales.

KINDSEIN: ¿Cuáles?

MARIA CALVO CHARRO: El menor rendimiento escolar puede generar en ciertos casos —especialmente en la adolescencia— complejo de inferioridad, descenso de la autoestima, absentismo escolar, necesidad de evasión de la realidad por medio del consumo de drogas y alcohol. La estabilidad emocional de algunos niños se ve afectada por la incomprensión a la que se ven sometidos durante la convivencia escolar constante con el sexo opuesto. Diversas investigaciones al respecto están dando cifras preocupantes de depresiones en niños y jóvenes que suelen manifestarse con un bloqueo en los estudios que nadie se explica.

Nuestro sistema educativo está dando a los muchachos mucho menos de lo que merecen académicamente hablando. Es necesario que los poderes públicos reconozcan la existencia de unas diferencias sexuales en el aprendizaje que están siendo despreciadas y que provoca que los chicos se frustren, reduzcan su nivel de aspiraciones, piensen que estudiar es "cosa de chicas" y se hagan notar por medio de los excesos de violencia que llenan últimamente las páginas de nuestros periódicos.

KINDSEIN: ¿Conoces algún caso de familias que hayan optado por el "homeschooling" porque quieren una educación diferenciada no religiosa?

MARIA CALVO CHARRO: Algunos padres han adoptado esa iniciativa o bien han "creado" su propio colegio diferenciado. Son padres que se pueden permitir el lujo de adoptar estos modelos porque su situación profesional (en el caso del homeschooling) o económica (en el supuesto de creación de un colegio) son excepcionalmente buenas. Pero la pregunta es qué sucede con aquellas familias que no pueden asumir los costes de estas iniciativas. Se ha demostrado que la educación diferenciada tiene unos resultados excepcionales precisamente entre el alumnado perteneciente a minorías o de familias de renta baja. Ellos son los que más lo necesitan y sin embargo se les niega tal posibilidad.

KINDSEIN: ¿La educación diferenciada está contemplada en la Constitución española?

MARIA CALVO CHARRO: La educación diferenciada por sexo encaja en dos perspectivas del derecho a la educación previsto en el art. 27.1. Primero, en el derecho a la libre elección de centro por los padres; y segundo, en el derecho a crear centros docentes que, a su vez, supone otros dos derechos, el derecho a establecer en los estatutos del centro escolar un carácter propio y el derecho a la dirección del centro. Como lo ha interpretado de forma reiterada nuestro Tribunal Constitucional, el derecho a la educación en un marco de libertad de enseñanza incluye el derecho a elegir el centro docente que los padres consideren oportuno para la educación de sus hijos. Se trata además de un derecho reconocido de forma reiterada por diversos Tratados Internacionales ratificados por España.

El derecho a escoger el tipo de educación se refiere a que, antes que el Estado, la sociedad u otras entidades, son los padres quienes tienen el derecho -y también la obligación- de escoger lo relativo a la educación de sus hijos. En consecuencia, debería ofrecerse a los padres que lo quisieran la posibilidad, hoy negada por inexistencia de colegios públicos diferenciados, de elegir un colegio separado por sexo para sus hijos.

La educación no es un monopolio del Estado, ni de las Comunidades Autónomas. Es por el contrario un derecho fundamental, por lo que no se puede imponer ni un modelo ni otro, ni la educación privada, ni la pública, ni la mixta , ni la diferenciada, sino que se deben ofertar todos en igualdad de condiciones.

KINDSEIN: ¿Qué deberían escoger los padres que empiezan a buscar escuela, una diferenciada o una mixta?

MARIA CALVO CHARRO: Ambos modelos educativos tienen ventajas y desventajas. Todo depende de cada familia y sobre todo de cada alumno. Por ello, desde el punto de vista educativo, la Administración pública debería ofertar todos los modelos posibles. Luego que sean los padres, lo que ejerciendo su derecho a libre elección de centro docente, decidan qué es lo mejor para sus hijos. Lo importante es favorecer la libertad.

KINDSEIN: Has dicho en alguna ocasión que la educación diferenciada es «un sistema pedagógico moderno y progresista que atiende a la educación personalizada de los alumnos, sacando lo mejor de sí mismos». ¿No es una idealización de la separación por sexos?

MARIA CALVO CHARRO: Nunca basta solo con separarles. Es siempre esencial que la familia colabore, tanto en la escuela mixta como en la diferenciada. Los padres tienen que ejercer de padres y actuar al unísono con el colegio. En caso contrario, si los padres no "educan" también en casa, si no están compartiendo tiempo y conversación con sus hijos; si no les marcan límites; si no les ayudan a diferenciar lo que está bien de lo que está mal; si no les trasmiten -sobre todo con su ejemplo- el ejercicio de virtudes clásicas como el valor del esfuerzo personal, la importancia del autodominio, la prudencia, el respeto a los demás, la justicia... no hay colegio ni público, ni privado, ni mixto, ni diferenciado que logre conducir al alumno al éxito personal y por añadidura académico.

Es obvio que el secreto del éxito no está en separarles simplemente, sino en valorar las diferencias que existen en su forma de aprender, de socializarse, de jugar, de reaccionar ante idénticos estímulos, y aprovecharlas para optimizar las potencialidades propias de su sexo. Lo que se consigue aplicando unos métodos docentes adaptados a cada sexo que el profesor debe conocer previamente. ¿Idealista? A los resultados me remito. Las estadísticas de los países con mayor experiencia en este modelo avalan su eficacia.

KINDSEIN: ¿Qué es lo que se ha conseguido en estos casi cuarenta años de educación mixta?

MARIA CALVO CHARRO: Un ahorro de dinero público considerable. La enseñanza mixta es claramente más económica que la diferenciada, pues tanto el profesorado como las infraestructuras se comparten, pero también un nivel académico cada vez mas bajo, un fracaso escolar cada vez mayor y una falta de respeto entre los sexos y de los alumnos con el profesorado realmente alarmante. Pero la causa de estos problemas no está simplemente en el modelo mixto. Esto sería injusto. Se debe a otros muchos factores: la crisis de la familia; la falta de autoridad y disciplina; el desprestigio del esfuerzo personal; la consideración del niño como un ser al que hay que permitir todo y darle todo para que no se frustre o traumatice; la ausencia de límites; el relativismo... Las nuevas generaciones saben bastante menos que las anteriores. Esto debería preocuparnos seriamente. Los documentos PISA nos sitúan a la cola de Europa. Una mayor inversión de dinero público no es la solución.

KINDSEIN: ¿Crees que los padres de este país, en general, están interesados por la educación de sus hijos?

MARIA CALVO CHARRO: Los padres de España o de cualquier otro país quieren lo mejor para sus hijos. Pero primero necesitan conocer qué es lo mejor y tener posibilidad de elegirlo. En España no se dan estas dos condiciones previas. La generalidad de la población no sabe en qué consiste la educación diferenciada -la identifican erróneamente con la educación de los colegios de la etapa preconstitucional- y, por otra parte, aunque la deseen muchos, no pueden acceder a ella porque no hay colegios públicos. Si hubiera colegios públicos y se informara debidamente a los padres, muchos optarían por este modelo, como está sucediendo en países desarrollados de nuestro entorno.

KINDSEIN: ¿Como cuáles?

MARIA CALVO CHARRO: En Australia son ya más los colegios públicos diferenciados que mixtos. Esta situación ha venido dada por la elevadísima demanda de los padres. EEUU, Reino Unido o Alemania aumentan día a día el número de colegios públicos que ofertan este modelo ante la presión de las familias que lo solicitan cada vez más.

KINDSEIN: El Gobierno central dice que la educación diferenciada es antisocial y discriminatoria.

MARIA CALVO CHARRO: Quien diga que la educación diferenciada es antisocial y discriminatoria no sabe lo que dice. También los miembros del Gobierno actual hablan maravillas de la educación pública y sin embargo llevan a sus hijos a colegios privados. Es triste que, por culpa de dogmatismos y de prejuicios absurdos e inmovilistas, haya tantos alumnos que no pueden beneficiarse de un modelo que podría resolver su problema de fracaso escolar. Los que hacen tales afirmaciones ignoran que los Tribunales Superiores de Justicia de algunas Comunidades Autónomas han tenido ocasión de pronunciarse al respecto, con resoluciones judiciales que apoyan de forma incuestionable la legalidad de la separación escolar por sexos. Asimismo, recientemente el Tribunal Supremo ha dejado claro que constituye un modelo educativo tan legítimo como la educación mixta, reconocido por Tratados Internacionales, y cuya existencia favorece la libertad de opción de los padres. Finalmente, de conformidad con la doctrina del Tribunal Constitucional, la separación por sexos en las escuelas forma parte del carácter propio de aquellos centros privados y concertados que opten por este modelo.

KINDSEIN: ¿Irá siempre asociada en este país a una mentalidad conservadora?

MARIA CALVO CHARRO: No, a una mentalidad progresista capaz de asumir y aplicar los más recientes descubrimientos científicos al campo de la educación. Conservador es aquel, tanto de un partido como de otro, que no se atreve a cambiar, el inmovilista asentado en sus prejuicios y dogmas, el ignorante que se permite el lujo de opinar de algo que desconoce y cuya formación se limita a lo que ve en la televisión... Estamos hablando de un modelo apoyado por evidencias empíricas, por descubrimientos científicos de investigadores de reconocidísimo prestigio.Los gobiernos autonómicos, del color político que sean, tienen la última palabra: elegir entre la corrección política o la verdad científica por muy escandalosa que pueda ser en apariencia.

KINDSEIN: Gracias, doctora Calvo.


domingo, 13 de fevereiro de 2011

Monarquia Democrática: Não É Contradição, É Evolução

Monarquia Democrática: Não É Contradição, É Evolução

Democracia: uma palavra que deriva etimologicamente da junção dos termos "demos"--que significa povo--e "kratos", que significa poder. Assim sendo, democracia tem subjacente a noção de que o poder emana do povo. Tradicionalmente associada aos gregos, as suas origens são muito anteriores, havendo evidência que as civilizações pré-históricas já tinham laivos de democracia--a título de exemplo, a eleição dos chefes tribais por consenso dos membos das tribos. Com efeito, alguns destes povos chegaram a ter estruturas bastante desenvolvidas, com conselhos de anciãos, que votavam questões de importância maior e que funcionavam como órgão consultivo do chefe da tribo. Havia ainda uma espécie de legislação primitiva, que julgava actos tidos como contrários aos costumes da vida em sociedade.

Não obstante, é com a civilização grega que a democracia atinge o seu auge, sendo esta a época dos grandes pensadores. Sob pena de tornar esta nota extremamente longa, não me vou deter nos autores clássicos em detalhe. Direi apenas que Platão via a democracia como o regime da representatividade do povo, em oposição a sistemas como a monarquia (absolutista, como é óbvio, se bem que aqui o termo seja empregue no sentido lato), a oligarquia, a ditadura (no conceito clássico--viria a florescer em Roma), a aristocracia ou a timocracia (governo pelos detentores de propriedade).

Com o passar dos séculos, o poder do monarca viria a ser limitado, como forma de manter o equilíbrio na sociedade. Inicialmente, o contrapeso era feito pela nobreza guerreira: veja-se o caso da Segunda Guerra dos Barões de 1264 a 1267 em Inglaterra, em que a política fiscal do Rei Henrique III levou a uma revolta orquestrada pelo terratenente Simon de Montfort,6º Conde de Leicester, um dos pais da monarquia constitucional. Este fidalgo obrigou o Rei a voltar a jurar a Magna Carta, garantindo as liberdades fundamentais dos ingleses e mostrando que monarquia e democracia não são opostos, mas sim complementares. A maioria dos portugueses pode ter esquecido esta figura, cuja relevância para a noção de monarquia democrática é fulcral, mas nos EUA é possível ver a sua efígie representada em pedra na parede da Câmara dos Representantes.

Mais uns séculos volvidos, e as sociedades perceberam a necessidade da separação de poderes: legislativo, executivo e judicial. Condição sine qua none de qualquer democracia, o poder executivo deve reflectir a vontade do povo e, directa ou indirectamente, ser eleito. O poder judicial cabe aos homens de leis, que por direito zelam pelo cumprimento das leis estabelecidas. Quem legisla? O Parlamento. No cimo desta pirâmide temos o Chefe de Estado, detentor do poder moderador: mas quem deve ser o Chefe de Estado? A meu ver, deve ser alguém politicamente isento, pois a chefia do Estado é suprapartidário. O Chefe de Estado representa todos os portugueses: de esquerda ou de direita, ricos ou pobres, letrados ou analfabetos, influentes ou "cidadãos anónimos".

Pessoalmente não posso aceitar que o Chefe de Estado seja um antigo Chefe de Governo, como o foram todos os presidentes da república, pois estes estão dependentes dos que lhes pagaram as campanhas, das máquinas partidárias a que estiveram associados; representam apenas uma parcela da população. Creio que só um Rei constitucional poder representar todos os portugueses: assumindo o poder moderador, agindo enquanto conselheiro do Primeiro Ministro--o único conselheiro que não tem segundas intenções pois não aspira a nenhum cargo político, sendo inabalável na defesa dos interesses nacionais a longo prazo--o Rei é o Pai da Nação, cuja representatividade histórica é inegável.

O Rei não é o inimigo da democracia, é a garantia de que esta perdura, precisamente por não ser eleito pode servir o seu país , sem cair na tentação de se servir do seu país. A monarquia constitucional é a evolução natural da Nação, finda a monarquia absolutista. A república é a degeneração.

por Henrique Sousa de Azevedo


terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Governo português contra a defesa dos cristãos - Renascença

Governo português contra a defesa dos cristãos - Renascença




Quando ouvimos notícias sobre atentados contra cristãos, sofremos e, muitas vezes, revoltamo-nos ao saber que foram mortos cobardemente por ódio à fé, enquanto rezavam, como aconteceu recentemente no Iraque e no Egipto.

Entre nós – no Ocidente - não há perseguição aberta nem martírios frequentes, mas muitos cristãos sofrem certa pressão e discriminação: ao nível da opinião pública, nos programas de ensino impostos pelo Governo, na legislação sobre saúde, sobre a família e a vida humana... Enfim, cada um de nós é capaz de enunciar já hoje um ou outro caso.

Às claras, ou veladamente, a violência e intolerância contra os cristãos é sempre condenável. Claro! Foi o que também achou o ministro dos Negócios Estrangeiros de Itália ao propor, esta semana, à UE, uma declaração conjunta para condenar a perseguição religiosa anti-cristã.

A proposta italiana teve o apoio da grande maioria dos ministros dos Negócios Estrangeiros da União, mas foi bloqueada por cinco países: Portugal, Espanha, Luxemburgo, Irlanda e Chipre. E, por isso, não se chegou a acordo.

Ficamos, pois, a saber que o Governo de Portugal é líder na Europa contra a defesa dos cristãos.